2.12.08

Passagens da minha vida

Há aqueles que dizem que viveram uma boa vida. Outros dizem que a sua vida poderia ter sido melhor em vários aspectos. No meu caso, consigo apenas dizer que altos e baixos sempre ocorreram. Momentos tristes e momentos felizes. Amor e ódio. Solidão e diversão. Estes aspectos tendem a revelar-se facilmente. São aspectos que fazem cada pessoa ser única. Cada pessoa tem a sua maneira de ser, de viver, e de agir. A maneira como agi e tenho agido é única. Sei que não posso alterar o meu passado, mas posso tentar viver o meu presente ao máximo. Por entre momentos de desespero, há momentos de luz. Vou retratá-los. Poderá ser difícil, mas sou suficientemente corajosa.

Nasci na Póvoa de Varzim, no dia 13 de Março de 1990. É uma cidade pacata, comparada com o resto do grande Porto. Com cerca de 70 mil habitantes, destaca-se da região norte como sendo rica a nível de turismo, indústria e serviços. Para além disso, a sua gastronomia típica faz parte dos livros de culinária internacionais, coisa que vim a saber recentemente, e que me deixou orgulhosa de ser natural de lá.

No dia em que nasci, todos fizeram uma festa. Todos sabiam que eu ia ser uma rapariga, mas a minha mãe comprou roupa que dava tanto para rapaz, como para rapariga. Ela veio-me posteriormente a contar que tinha medo que eu tivesse nascido rapaz, como havia acontecido com muita gente dela conhecida. Eu não me importei muito com o assunto. Quando era bebé estava-me nas tintas para o que vestia. O meu pai, como qualquer outro, andava babado pela segunda vez. Sim, tenho um irmão cerca de três anos mais velho. Esse também não me deixava em paz, até chegar à conclusão que a única coisa que a irmã bebé dele fazia, era chorar e pedir comida. Acho que foi mesmo nessa altura que ele se começou a fartar de me aturar.

Durante alguns meses morei com os meus tios, enquanto a minha verdadeira casa estava a ser construída. Pelo que sei, dormia numa espécie de cestinha para bebés. Achei piada ao termo. O meu irmão passava os dias a dançar, porque os meus tios tinham TV por satélite, ou seja, havia MTV, canal que o deixava tremendamente activo a nível artístico, se é que me entendem. Os meus avós vinham visitar-nos, constantemente, visto que moravam a dois minutos… a pé.

Tinha eu cerca de dez meses, quando finalmente nos mudámos para a casa “nova”. Não lhe podemos chamar de nova, porque apenas tinha sido sujeita a algumas obras, adição de paredes, remoção de paredes, janelas, portas, coisas. Não cheguei a dormir num berço. Os meus pais puseram-me logo numa cama de solteiro, para adulto. É ao lembrar-me disto que me sinto orgulhosa, por ser mais rápida que a velocidade da luz, nestes aspectos! Os meus avós estavam também a viver connosco, num quartinho que por acaso era junto ao meu. Não sei como é que eu não passava a noite toda a chorar, porque o meu avô ressonava alto como tudo.

A minha mãe tentou trabalhar, comigo ao lado. Não conseguiu. Durante três anos conseguiu estar no escritório com o meu irmão, porque ele era muito sossegado e só se ria e só brincava e só era fofinho e não sei quê e não sei que mais. Estas coisas que me contam para apenas fazer contraste entre mim e o meu irmão. Eu era a bebé chorona, que só queria atenção e que deixava todos de cabelo em pé. Foi exactamente por isso que me mandaram logo para uma creche, mesmo que o limite de idade mínimo fosse de 3 anos. Não sei o que fizeram, dizem que foi o meu irmão, ou coisa assim, que dançou e deixou as educadoras de infância todas babadas. O que interessa é que me aceitaram.

Desde então, pouco sei da minha infância, até aos 6 anos. Sei que coisas más aconteceram. Não aconteceram comigo. Aconteceram justamente com o meu irmão. Estávamos de férias, em Vila Real de Santo António, penso eu, quando ele teve de ser internado com urgência, no hospital. Esteve às portas da morte, mas tudo se resolveu. Nódoas negras davam padrão à sua pele, e o seu nível de plaquetas era assustador, de tão baixo que era. Enquanto isso, estive com os meus tios, enquanto os meus pais lidavam com o problema. Eu era demasiado bebé para conseguir entender o que se passava, por isso não os censuro, mesmo que as noites sem eles pesassem no meu jovem e infantil coração.

Ele acabou por se sujeitar a vários tipos de tratamento, nomeadamente o uso de cortisona. É uma droga maléfica, a meu ver. Retarda o crescimento, engorda, impede o desenvolvimento mental. Estas são coisas que soube recentemente, quando já estava na universidade.

Mas esses problemas não acabaram. Quando fomos à Madeira, tinha eu 4 ou 5 anos, ele teve ataques epilépticos. Sempre me culpei em relação ao assunto, porque era eu quem o estava a chatear, quando eles ocorreram. Fico feliz por não me lembrar de rigorosamente nada, desse assunto. Os meus pais é que me contaram tudo o que sei, acerca desse episódio. Resultado: teve de se sujeitar a mais tratamentos, e eu nunca o apoiei como deveria ter feito. Não me culpo por isso, sei que não tinha maturidade suficiente.

Aos 6 anos entrei na escola primária. Foi num colégio de freiras, que para sempre me ficou na memória. Todos se davam bem, a comida era boa, as actividades eram divertidas, e acima de tudo, eu era bem ensinada. Pai, mãe… foi um bom investimento, e vocês sabem disso. Várias amizades foram feitas nessa altura, se bem que se tenham perdido, ao longo do ensino secundário. Acho que nessa altura era uma santinha, ia à catequese, não dizia palavras más. Ou estremecia quando as diziam. E aprendi a gostar de ler.

Quando entrei no 5ºano, tive de me adaptar a um novo estilo de vida. Estava agora numa escola pública, onde havia boas pessoas e rufias. Nunca tive problemas com estes últimos, o que é um alivio para mim. Lembro-me de proteger um primo meu, de um rapaz. Só me safei porque ele tinha o complexo “não se bate numa mulher, nem com uma rosa”. Eu tinhas boas notas, mas nunca conseguia ultrapassar as notas da melhor aluna da turma. O horário era perfeito, tinha tardes livres para fazer o que me apetecia, mas nunca estudava. E tirava grandes notas. Odiava matemática. Não conseguia ir com a cara da professora, de tão má e arrogante que era. Mas isso consegui ultrapassar. Lembro-me de ter tido uma nota não muito boa logo no segundo teste. Todos tinham tido óptimas notas, e eu sentia-me mal. Mas a partir daí consegui sempre ter uma positiva baixinha, enquanto que a restante turma tinha notas relativamente baixas. Sempre achei piada a isso.

Foi ainda nesse ano, que decidiram que eu devia usar aparelho fixo. Isso fez com que a minha vida se desmoronasse. Eu já usava óculos, um problema de infância, que, felizmente, já está resolvido, e graças a Deus que já não tenho de usar mais aquelas coisas. Eu não consegui comer nada, nas duas primeiras semanas com o aparelho, que coincidiram com o Natal. Sorte a minha, não é? Mas o meu irmão também estava a sofrer de igual modo. Ambos nos sentámos num canto, na consoada, incapazes de comer bolo de chocolate, e outras guloseimas que por lá havia. O pior foi quando começaram as aulas. “A Helena tem aparelho!” era uma frase que passou a ser muito usada. Eu odiava isso. Eu fiquei com um péssimo aspecto. Feia, com óculos, aparelho. Ainda hoje, só de pensar, ainda fico arrepiada. Era tremendamente gozada pelos outros, mas tentava não ir abaixo. Guardava os meus problemas apenas para mim, e fingia que estava tudo bem. Sobrevivi, mas sei que não devia ter feito assim.

Só tirei o aparelho no 8ºano, ano que coincidiu com o Euro 2004, um grande e belo ano para Portugal. Pode-se ter gasto milhões e milhões de euros, mas valeu a pena. Íamos ganhando aquilo, não fosse a maldita Grécia e os seus deuses inexistentes. Foi também nesse ano, que o primeiro rapaz com um fraquinho por mim se fosse embora da escola. Foi no 6ºano que o conheci. Partilhávamos a mesma carteira, desenhávamos juntos e coisas assim. Um dia mandei-o para o hospital, sem querer, mas ele parecia não se importar, a sua cicatriz ficou em forma de raio, e como andávamos todos viciados em Harry Potter, aquilo até fez furor. Até ao dia de São Valentim. Foi um péssimo dia. Fui muito infantil. A minha escola tinha a tradição das cartas de amor. Recebi uma, e dizia algo do tipo “Vem ter ao sítio X, às X horas!”, e eu fui. Fiquei foi surpresa por o ver ali, envergonhado. Estava acompanhada por alguma colegas, e elas disseram-me para rasgar a carta dele ao meio, para ele saber que eu não estava interessada. Mas não fiz isso. Fiz algo pior. Cheguei-me junto a ele e gritei um sonoro “odeio-te!”. Claro que ficou toda a gente a olhar, e ele ficou chocado. Se eu pudesse voltar atrás, teria tratado do assunto com alguma maturidade. Mas passado é passado. Nos tempos seguintes ele tentou conquistar-me à força toda, oferecendo-me rosas, chocolates e anéis. Recusei sempre. E, falando a sério, fiquei aliviada quando ele se foi embora, no 8ºano.

O 9ºano foi único. A minha turma foi completamente fragmentada, porque tinham chumbado 75% dos alunos. Acabei numa turma com gente com quem eu não me dava bem. Consegui sobreviver, e conheci muito boas pessoas, que ainda hoje são minhas amigas. Continuava a ser gozada por várias raparigas. Com o ombro amigo de um caderno, consegui sobreviver. Escrevi uma espécie de diário, do 6º ao 9ºano. Rio-me sempre que o leio. Eu era tão… retrógrada… infantil, não sei como explicar.

Foi nesse ano que me desgracei. Sempre quis ser uma arquitecta. Foi nesse ano em que o sonho acabou. Foi em 2005 que tudo com que eu sonhava foi despejado para uma corrente, sem meio de voltar. Como é normal em muitas escolas, existem os testes psicotécnicos. Eu decidi ir ver como aquilo era. Deu-me artes, o que me deixou tremendamente feliz. Mas a psicóloga tinha mais uma palavrinha a mais.

“Porque é que não vais para ciências?” – Perguntou ela.
“Porque gosto de artes.”
“Mas isso vai-te levar para o desemprego… Vai antes para isto, aquilo e blá.”

E o que é que eu fiz? Segui o conselho dela. Tinha perguntado aos meus pais o que eles achavam. Lembro-me que o meu pai me disse algo do tipo “arquitectura… emprego foleiro…”. Foi o que me levou mesmo a escolher ciências, para área no secundário. Foi por isso que ele foi péssimo. Comecei o 10ºano com boas notas, média de 17 e não sei quê, e terminei-o desmoralizada. Acho que foi nessa altura em que deixei de acreditar nos sonhos, e passei a ir para as aulas contrariada. Odiava aquilo tudo. Nem sei como consegui aguentar até ao final. Quando um amigo meu, da minha turma, se decidiu mudar para artes, sem eu saber, fiquei stressada. Soube tarde demais, senão teria mudado com ele. Foi uma questão de dois dias. Maldita vida e os seus percalços!

Os meses foram passando, comigo odiando matemática, física, e filosofia. A minha disciplina preferida era, sem dúvida, inglês. De resto dava-me bem e tirava notas razoavelmente boas. Se bem que estas pudessem ser melhores, se eu tivesse a moral para a coisa. Não me tinha ainda decidido acerca do que queria ser, mas continuei e continuei.

Em Março de 2007, andava eu no 11ºano, tive a minha primeira grande visita de estudo. Fomos a França, mais propriamente a Paris e Estrasburgo. Foi aí que conheci um ex-namorado meu. Era a minha primeira semana sem óculos, e todos diziam que eu parecia um botão de rosa a florescer. Sim, são bocas foleiras, mas não me importava. A atracção inicial não podia ser negada. Foi uma boa viagem, marcante para a minha vida, e para as minhas amizades. É para ser lembrada e relembrada. O meu relacionamento com esse rapaz durou apenas um mês. Ele andava com outra, ou coisa assim. Senti-me mal e suja. Eu conhecia a rapariga, tinha sido da minha turma durante 3 anos, foi essa a pior bala. O pior de tudo, foi ter sido trocada por uma rapariga caprichosa e feia. Não estou a tentar ser invejosa, mas toda a gente dizia isso. Acabei por me mentalizar que eu até era mais bonita do que ela, e isso deixava-me tanto feliz, como triste. É mau ser trocada assim.

Lembro-me de uma vez estar na praia, e de ele passar por mim e pelo meu grupo de amigos. Cumprimentou-nos a todos, e eu apenas me dignei a dar-lhe um aperto de mão. Ele mostrou-se chocado e magoado, mas eu estava pouco importada. Recebi bons comentários do tipo “BOA, HELENA!” e senti-me realizada.

Lá chegou o 12ºano, melhor ano do secundário, e também mais complicado. O 11º tinha sido mau, por causa do stress dos exames de biologia e geologia e de física e química. No 12º tínhamos de nos decidir acerca do nosso futuro, e fazer o temível exame de matemática. O ano passou rápido, convivi imenso com os meus colegas, em relação ao normal, visto que eu era um pouco anti-social.

Passo desde já a explicar porquê. Vivi 15 anos naquela casa, com os meus avós. Era longe da cidade, e isso dificultava a aquisição de relacionamentos que perdurassem. Foi enquanto aí estava que comecei a ter mais contacto com as novas tecnologias, e com a Internet. Foi o meu momento de perdição, do qual nunca mais consegui recuperar. Comecei a jogar jogos online com 14 anos, sendo facilmente venerada, por ser rapariga. Isso fazia-me sentir bem. Se não gostavam de mim da vida real, ia procurar atenção na vida virtual. Deixeis os velhos GameBoy’s e os jogos de pokémon e Final Fantasy, mas me virar mais para coisas ligadas à Internet. Alguns Verões passei eu em casa, em frente ao PC, antes da escola secundária. Mas quem se importa? Depois da escola secundária também foi assim, ainda que me tivesse mudado para um apartamento no centro da cidade. Admito que esse vício também me afectou o aproveitamento escolar, para além de não estar moralizada. Mas não me importo. Não estaria onde estou, actualmente, se não tivesse sido assim.

O meu último ano no ensino secundário terminou. Fiz os exames. Tive notas razoáveis. Não quis fazer os exames da 2ª fase, porque não valia a pena, a meu ver. Mas se calhar teriam valido. Mas, sinceramente, se os tivesse feito de novo, não estaria onde estou… não estaria assim tão feliz.

Ainda não me tinha decidido acerca do que queria ser, e teve de ser uma grande discussão para eu e os meus pais, decidirmos o que eu ia ser. O meu irmão estava em engenharia informática do ISEP, e eles não se importavam nada que eu fosse também. Mas no final, decidi pôr a primeira opção como sendo enfermagem, em Coimbra. Foi o meu maior erro de sempre. As restantes opção foram engenharia informática no Porto e em Lisboa. Não andava muito preocupada com a saída dos resultados, estava mais excitada com a minha ida ao Canadá. Fui ao Canadá e diverti-me imenso. No inicio desse Verão conheci, pela Internet, pessoas que me são ainda muito chegadas e amigas, com quem eu falava diariamente enquanto andava por terras americanas.

Lá senti-me uma autêntica modelo. Todas as raparigas se vestiam de uma maneira peculiar, e 70% delas eram obesas, ou em vias disso. Na altura em que lá estive só ocorreram desastres. Houve uma explosão que, sinceramente, achei que fosse fogo-de-artifício. Essa notícia chegou aos ouvidos do meu querido Portugal. Eu ainda não sabia do que se tinha passado e já me andavam a ligar.

“Isabel! Estás viva?” – Ligou a minha mãe.

Sim, o meu nome é Helena Isabel. Na escola chamam-me Helena, em casa Isabel. Mas há sempre aqueles amigos chegados que gostam de me chamar pelo segundo nome.

Senti-me importante, por acaso. Assim que entrei no MSN, nesse dia, várias pessoas me abordaram, e me perguntaram se eu estava bem. Senti-me duplamente importante. Contribuiu imenso para o meu ego. Estive lá durante 20 dias e isso bastou para que a minha popularidade subisse em riste.

Lá eu estava com os meus tios. Comida, cama, e roupa lavada. A minha tia é canadiana-italiana, mas fala português fluentemente. Disse que eu tinha mudado, que estava mais bonita em relação à última vez em que ela me tinha visto. Fiquei no quarto do meu primo, enquanto ele dormia em casa da namorada. Safado. Namoravam há 7 anos, de qualquer forma. Desde os 17 anos, penso eu. Quando eu e a minha prima andávamos na rua, vários rapazes olhavam para nós. Talvez pela minha forma de vestir. Todos me diziam que eu me vestia bem. Claro, no meio daquelas pessoas, sim. Moda canadiana é estranha. Fui várias vezes ao cinema. Fui assediada por um gangster que queria ir tomar um copo comigo, fui às Cataratas do Niágara, onde o carro ficou sem bateria, com temperaturas de 43ºC, etc. E voltei para casa.

Faltavam 20 dias para saírem os resultados das candidaturas à universidade, quando conheci um outro rapaz importante da minha vida. Falávamos imenso no MSN, e eu sentia-me a apaixonar-me pela maneira de ser dele. Foi o que mais me afectou, assim que soube o resultado das candidaturas. Tinha sido colocada em Viseu, e não queria ir de modo nenhum para lá. Decidi ficar. Fui ter com ele. Aconteceu a tão celebra história roubada de um filme. Talvez a conte depois.

Decidi matricular-me numa universidade privada no Porto, para estar perto dele. Ele tinha pedido transferência para o ISEP, e conseguiu colocação. Essa era a minha segunda opção. Não tinha sido colocada, porque a média tinha sido de 14,7… a minha era de 14,2. Foi um choque para mim, tinha a certeza que conseguia entrar. O mundo desmoronou-se, sob meus pés, nesse dia da verdade.

Eu continuava na privada. Estava perto dele. Namorávamos. Ainda assim, inscrevi-me na 2ªfase de candidaturas, com muita pressão exercida pelos meus pais. Acabei por ser colocada na Universidade de Évora. Decidi ir. Chorei muito na despedida. Mas foi o melhor que eu alguma vez pudesse ter feito. Mas assim que lá cheguei, decidi declarar-me anti-praxe. Isso revelou ser um erro, e passados dois dias, voltei atrás com a palavra, após ter passado a tarde com um rapaz que só falava bem da praxe. Foi nesse dia em que voltei atrás com a palavra, que toda a minha mudou por completo. Foi o dia em que finalmente me tornei em alguém diferente. Uma pessoa independente, sincera e capaz. Fiz várias asneiras e coisas boas desde então. Mas isso fica para uma próxima vez, ou talvez não. É bom estar aqui. Obrigada, existência, por me teres dado a dádiva de finalmente ser livre, e segura de mim. Os erros corrigem-se, e a felicidade persegue-se.

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