19.1.09

Anormalidades empolgantes

Dia-a-dia. Aborrecido, stressante, alegre ou triste. Altera-se sempre. Hoje foi um desses casos, em que coisas estranhas acabam por acontecer. Não são exactamente "coisas estranhas", simplesmente não é assim tão normal acontecerem comigo.

É normal estar à espera do metro, aqui no Porto, e é normal que essas paragens estejam apinhadas de gente. Hoje estava basicamente vazia, sendo o sítio onde se situa. Eu tinha ido às compras, forma de gastar o dinheiro do Natal. Fui bastante rápida. Sou sempre. Decido na hora e depois não ando para aí com lamurias. Às vezes até sei o que quero. Como ainda faltavam dez minuto para apanhar o metro, dirigi-me calmamente para lá. Notava-se que ia chover, e que eu não devia perder tempo. Afinal de contas, tinha de apanhar o autocarro para Évora às seis. Já tinha comprado o bilhete na estação da Póvoa de Varzim, por isso não me tinha de preocupar com mais nada.
Deparei-me com duas pessoas encostadas a um dos anúncios perto da estação do metro. Um deles era um homem de meia-idade, com cabelo grisalho curto. O outro rapaz devia ter vinte e poucos anos, com um cabelo negro como a noite e olhos claros. Não cheguei a saber a cor, ao certo. Quando passei por eles, soube que eram ingleses. Decerto que acham que todos os portugueses são burros, e que não entendem inglês. Estão redondamente enganados. Eu sei e adoro inglês.
"See? I like girls like that one." - disse o mais novo.
Claro que eu não fiquei indiferente ao que tinha acabado de ouvir e olhei para trás, interrogando-me acerca do que ele tinha dito. Ao reparar que eu tinha ouvido, o rapaz pareceu envergonhado e virou-me costas. O mais velho limitou-se a rir. Continuaram a falar. Senti a cara quente. Virei costas e sentei-me num dos bancos da paragem. De vez em quando, eu olhava para o lado. Os nossos olhares cruzaram-se apenas uma, e uma só vez. Ele virou a cara de rompante e puxou o gorro mais para baixo.
Chegou um metro com destino ao Aeroporto, e lá entraram os dois. Fiquei a olhar enquanto eles se sentavam. Do lugar onde estavam, ambos olharam para mim, sorriram, e acenaram um adeus.

Fiquei a olhar, com a mão no ar, num aceno quase parado, quase boquiaberta, enquanto o metro desaparecia.


Anormalidades empolgantes.

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